Wednesday, March 10

Carta de um Anjo

"Enquanto releio o teu blogue penso em tudo o que já fomos nestes mais de quatro meses. No nosso primeiro encontro, aquele em que me deixaste fascinado contigo. No nosso primeiro beijo numa noite de Verão. Naquela vez em que fui almoçar a tua casa e me mostraste uma das tuas fragilidades, a rir e chorar ao mesmo tempo. Naquela vez em que me disseste que do que mais tinhas medo é que eu fosse trabalhar para Lisboa. Naquela noite em que resolvi dizer “eu amo-te”. Naquela noite em que me escreveste que pela primeira vez sentias de verdade quando escrevias que me amavas. Nas noites que adormecemos abraçados um ao outro. Na nossa primeira vez cá em casa. E na segunda, tão marcante. Na maneira como falaste de mim aos teus amigos. Nas inúmeras vezes que me chamas de “anjo”.

Penso nos meus medos. O mais forte dos quais é o de um dia te perder, por força de uma qualquer vontade tua ou incapacidade minha de te fazer feliz. Medo de um dia acordares e pensares que já não gostas de mim. Medo da rotina. Medo de, na ânsia de te dar tudo o que queres ter, te afeiçoes mais a isso do que ao que sentes por mim e eu sinto por ti (aquilo que une as pessoas não importa o que estiver à volta). Medo de um dia conheceres alguém que possa ser para ti mais do que eu sou e quero e tento ser. Medo de não ser tudo aquilo que precisas que eu seja. Medo de não estares disposto a acompanhar-me. Medo de que todos estes medos te afastem de mim.

Não conheço muito do teu passado, mas aprendi que a partir da estaca zero, devemos olhar para o futuro e viver o presente porque o passado já lá vai. Também o futuro me amedronta porque não é certo e, se está escrito, nenhum de nós tem capacidade de o ler.

Tu és a maior aposta que eu já fiz na minha vida. Consciente de que estou a colocar a minha vida nas tuas mãos, não quero que penses que o que te estou a oferecer é pesado demais para alguém com 22 anos. Por isso, quero que saibas que quero viver cada dia contigo. Um de cada vez. Dentro do que é possível, como se cada dia fosse o último e a última vez que te vou ver. Porque é assim que o amor deve ser vivido, digo eu.

Dizes que não és o meu anjo porque tens os teus defeitos. Mas quem não os tem? Só eu tenho uma carrada deles. Sou um ser imperfeito, construído da vida que me foi dada e da que eu colhi. Do bem e do mal que isso tudo traz. Com todos os cancros e orgasmos, sorrisos e lágrimas. Mas se não és o meu anjo porque me deste asas para eu voar? É que não sei se sabes mas tu és a primeira alma que me ama, me dá conforto, carinho, paz, satisfação, alegria e aquele sentimento de pertença e protecção que nunca senti por mais ninguém. Não quero que nem um mosquito te ferre, nem um grão de açúcar esteja a mais ou a menos, nem sequer alguém te empurre.

Quero apenas que sejas o meu anjo… se quiseres que eu seja o teu."



@ Anjo

5 comments:

Bportugal "Kido" said...

Olá.
Para saberes que já visitei o teu blog :)
Um abração deste amigão

Nuno Judas said...

Que bonito :) adorei

Lau said...

oohhh :)
Adoro-vos :)

Pablo da Luz said...

ola, vi que segues o meu blogue, e gostei muito do que encontrei no teu...

Anonymous said...

Que bonitas palavras! Espero que continuem juntos!